O inquilino
Uma casa era ocupada há 4 anos por um determinado inquilino. O proprietário não estava satisfeito com as condições em que seu imóvel se encontrava.
Resolveu então colocar um anúncio a procura de um novo inquilino.
Tinha que ser alguém que se responsabilizasse pela conservação do prédio.
Alguns se interessaram e fizeram suas propostas.
Muitas promessas de mudanças, adaptações, conservação, investimento e valorização da propriedade.
O proprietário analisou todas as propostas e diante do exposto por cada um, optou por alugar seu imóvel ao médico da cidade. Pessoa muito conhecida e querida pela população.
O novo inquilino tomou posse do imóvel, determinou que cada cômodo seria usado por um amigo, parceiro ou profissional e que juntos fariam todas as reformas necessárias.
Como nenhum era especialista em reformas e não tinham tempo para esse serviço, decidiram contratar várias empresas para assessorar e realizar o que era preciso.
Tudo muito, muito caro mesmo!
As dicas vieram e foram aprovadas pelo inquilino:
O teto estava com falta de telhas (mas não era o essencial para o momento, afinal não era época de chuva!).
O piso estava quebrado, com desnível que poderia causar a queda de alguém (mas era só jogar um tapete por cima e o problema seria resolvido).
Os vidros das janelas estavam todos quebrados (mas era só colocar uma cortina e ninguém perceberia).
As paredes estavam com a pintura descascada e a propriedade tinha um cheiro de mofo muito forte (a solução era encostar alguns móveis nas paredes, pendurar quadros e diminuir a iluminação, isso resolveria todos os problemas).
Após o término dessas reformas, o novo inquilino olhava a casa e se sentia satisfeito com o que via.
O proprietário fez algumas vistorias, apontou as falhas na "reforma", lembrou das promessas feitas antes de assinarem o contrato, mas o inquilino em contato com as empresas e seus parceiros avaliou que as colocações feitas pelo proprietário eram apenas "picuinha", sem necessidade real de atendê-las.
Só que...
A chuva chegou, acompanhada de ventos muito fortes e o teto foi arrancado.
A água da chuva enxarcou o tapete e precisou ser arrancado.
A falta dos vidros fez com que a chuva entrasse por todos os lados.
Nesse momento o inquilino viu que as empresas contratadas por muito dinheiro não tinham feito nada, levaram o dinheiro e deixaram problemas ainda mais graves.
Os parceiros que disseram amém, concordaram com tudo e não tinham compromisso firmado nem com o inquilino e nem com o proprietário, se retiraram.
O cheiro do mofo, após alguns dias se tornou insuportável.
Sem dinheiro para contratar novas empresas, o inquilino precisou deixar o imóvel e o proprietário que tinha acreditado nas promessas se viu em uma situação ainda pior.
Seu imóvel estava praticamente destruído.
Moral da história:
Promessa não é compromisso, nem garantia de realização.
Fazer bem feito é essencial.
Preço alto não é sinônimo de qualidade.
Conhecer e participar efetivamente de tudo é primordial.
*Qualquer semelhança é mera coincidência
Ivani Alaminio
17/03/2021
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